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I-materialista e o desapego

Falando novamente do carro novo que ainda não tenho pensava nas palavras da minha mãe acerca do novo carro, que desejava que o estimasse tanto como havia estimado o anterior nos primeiros tempos.

Isto misturado com uma frase que adoro de que recentemente ouvi num podcast dos minimalistas e no seu documentário:

“Nós somos materialistas no sentido comum da palavra, mas não somos materialistas o suficiente no verdadeiro sentido da palavra. Nós precisamos de nos tornar verdadeiramente materialistas e realmente importar-nos com a materialidade das coisas” (tradução livre de The Curious Button)

No fundo nós queremos ter tudo, queremos a casa, o carro, o gato/cão, queremos os brincos, os casacos de pele ou pêlo, queremos os sapatos e os telemóveis. Mas verdadeiramente nós não queremos tomar contas das coisas… Nós queremo-las novas, por usar, porque lá no fundo sabemos que naquelas primeiras horas, se formos sortudos dias ou meses, a coisa existe por si só… alegrando-nos e sendo útil naquele estado de perfeição absoluta que diminui um pouco depois de removermos a etiqueta e vem descendo por ali abaixo quando descobrimos o primeiro risco ou defeito.

Depois do novo vem sempre o sujo, usado,  sem bateria, amolgado, aborrecido, torcido, desatualizado, por isso, há dias me diziam sobre esta conversa de comprar um carro novo: que perdia logo metade do valor quando saía do Stand.

Nós não somos materialistas o suficiente, compramos as coisas e maltratamo-las, aliás, quem nunca comprou algo já em mente de o substituir por outra coisa. Do género… ahh este ______ ( insiram algo no espaço, pode ser um casaco, mobília, almofada, escova, telemóvel ) não é bem o que queria, mas é só até trocar outro. Se o tal carro novo vale metade depois de sair da porta, que porra vale algo que compramos já com ideia de jogar fora?

Hoje em dia é essa a educação que temos, que devemos trabalhar e tentar ao máximo ter o gadget mais novo, o carro mais brilhante e não é isto uma sociedade do desapego que tudo tem, que nada valoriza mas que paga por tudo com uma etiqueta. Não é esta a sociedade mais imaterialista da história porque é fácil comprar uma, dez, vinte coisas e depois substituir essas mesmas coisas por outras 40 e 50 e por ai adiante?

Não sei por ti, mas tentarei estimar o dito carro, tentarei rever de forma justa qual o nível de investimento em euros e em tempo que precisará e não é isso que precisamos de fazer com tudo?

Photo by Quino Al on Unsplash

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