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Minimalismo – Coisas que já não compro

Este é um dos posts que mais vejo em todas as redes sociais daqueles que se autodenominam minimalistas. Aqui em casa não há minimalistas no sentindo de que vivemos apenas com o essencial. Aqui há muita tralha, inutilidades e coisas sem grande propósito, contudo, tudo o que vem morar connosco, em adição ao que já cá vive é escrutinado, para termos a certeza que esta ou aquela adição trás valor e felicidade e não trás contas associadas ou que foi apenas um capricho do momento.

De facto revendo o que este ano e o que esta mudança trouxe até nós, este foi o melhor ano para esta mudança ter acontecido. Pois foi este ano em que nos mudamos para a nossa casa. Ter esta nova perspectiva das coisas e saber fazer as perguntas certas antes de dar o sim a qualquer traquitana que nos apanhe o olho tem-se mostrado uma mais valia. Sobretudo para mim, sendo eu a mais consumidora dos dois.

Coisas que deixei de comprar:

. Malas – malas foi sempre um dos meus grandes suplícios, com marcas como a primark e parfois, ir de poucos em poucos meses comprar malas sempre foi um das minhas maiores perdições e o curioso é que tenho sempre a tendência de escolher o mesmo estilo de mala, que aviso já não combina com aquilo que na verdade uso no dia a dia. Para mim as malas são sobretudo um objecto aspiracional, porque as associo a roupas glamorosas e muitas vezes não me representam realmente. Passo meses com a mesma mala. Por exemplo neste momento tenho uma mala comprada numa loja dos 300, de roupa, que uso para o trabalho e ao fim de semana.

. Produtos ele e ela – Este é uma das questões femininas que mais me chocou quando trouxemos as coisas para a casa nova. Haviam caixas e caixas de champus por usar ou meios, amaciadores, gel de banho e amostras. A realidade é que as mulheres no geral são pressionadas para comprar demasiadas coisas. Para tentar fugir o máximo disso, usamos a mesma pasta de dentes, o mesmo champu, gel de banho e desodorizante. Temos perfumes individuais e após muitos meses sem usar, voltei a usar amaciador de cabelo. Antes desta nova fase ofereci champô a amigos e usei a grande maioria dos produtos que tinha em caixas. Calmamente transito para o uso de sabonetes como gel de banho preferencial. 

. Decorações – uma das coisas que mais comprei foram sempre coisas antigas, taças, vidros, canecas, loiça enfim… tudo o que fosse barato, interessante e vagamente utilitário acabava sempre comigo. Felizmente o bom senso nem sempre nos foge e pode-se dizer que temos itens que estimamos muito e que ainda hoje são úteis. Atualmente não vou regularmente a feiras das velharias como antes e também não procuro online nenhum tipo de negócio desse tipo. Em lojas visito regularmente todo o género de lojas e secções, contudo, compro apenas o que realmente faz falta. Quando vejo uma peça decorativa tendo adoptar a técnica do “volto mais tarde”, o que quase sempre se torna num simples pensamento de outro dia. Regra geral não me recordo o que era o objecto e não regresso para o ir buscar.

. Livros – este é dos assuntos mais controversos quando falo de bens materiais, contudo, para mim, e pessoalmente, os livros não enriquecem a minha vida, não ganho mais da experiência de os ler no meu leitor de livros do que em papel. Não aprecio as folhas, o cheiro, a sensação. Aliás incomoda-me que muitas pessoas encham bibliotecas de livros para nunca terem lido nem a quinta parte dos mesmos. Incomoda-me que os leia uma vez e se fiquem encostados, apanhando o pó de muitos dias. Pessoalmente adoro ler, contudo, como explico acima o objeto livro não me desperta nenhum reação anormal ou beneficia a minha experiência de leitura. Não me trás valor,  e por isso deixei simplesmente de comprar livros.

. Acessórios – este é outro dos meus vícios pessoais, um particularmente mau porque não apenas é uma compensação psicológica do que eu sinto,  como quando o fazia não tinha qualquer controlo. Desde bastante nova que tive excesso de peso ou seja jóias, brincos, colares eram sempre itens sem problema, que sempre servem e sempre ficam bem. Isto levou-me a muitas épocas da minha vida me focar na compra destes objectos porque encontrar as calças, calções ou camisolas com que eu sonhava era impossível num tamanho que me servisse. Hoje em dia consciencializada que estes pequenos objetos brilhantes são muitas vezes algo para me apaziguar a mente e me “recompensar” evito-os. Apenas compro coisas de qualidade, ou que são realmente únicas. Reduzi a minha coleção e hoje em dia tenho bem possivelmente menos 100 brincos que tinha antes.

. Revistas – Revistas, sobretudo aquelas que vêm do supermercado e que estão tão convenientemente perto da caixa e são mais baratas que um café, são algo que deixei de comprar. Para quem não conhece esta praga de aspecto apetitoso são as revistas de receitas de cada um dos supermercados. No fundo estas não trazem valor para mim, porque quando quero uma receita, por norma, pesquiso-a online e porque depois de muitas revistas e muitos meses, o rácio de receitas que experimentei das mesmas era muito baixo. Tornaram-e artigos inspiracionais de coisas que ia cozinhar um dia e esse dia nunca chega. Mantenho as revistas que tenho e não comprei mais.

. Óculos de sol – Este é um daqueles pecados como o das malas. Óculos de sol baratos, multicores, multi formas, creio que cheguei a ter mais de 10 ou 12 pares. Constantemente os riscos ou maus tratos faziam com que uma versão fosse substituída pela seguinte. Hoje em dia acredito que este foi um problema relacionado com a minha falta de conhecimento. Os nossos olhos precisam mais do que simples plásticos polidos para os proteger. Por uma questão de saúde hoje em dia uso apenas óculos de marca, tenho dois pares é verdade, mas estimo-os e acompanham-me há já quase 2 anos, período em que pouco a pouco os óculos de plástico desapareceram de casa.

Estas são algumas das coisas, creio que as principais em volume, que deixaram a nossa casa e que eram sempre trazidas pelas minhas mãos. 

Tiveram alguma experiência semelhante? O que deixaram de comprar e porquê?

(Fotografia de Karolina Grabowska)

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