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Os Planaltos e o Espiritualismo

Hoje venho falar sobre uma realização que me chegou durante uma meditação.

A vida dá muitas voltas e no meio dessas voltas há pausas, pausas em que respiramos e olhamos em volta e observamos que tudo esta bem. Que os astros se alinham e estamos bem. Que o futuro virá saudável e brilhante e que hoje pode até não ser tão brilhante assim mas, ainda assim, hoje é um bom hoje. Nestes planaltos de alegria, contentamento, nestes breves dias, horas ou até minutos em que pensamos assim: tudo está bem… interrogamo-nos sobre aquilo que em nenhuma outra altura pensamos.

Será este o meu destino? Estou a cumprir o meu papel no Universo, no Mundo, estou a ser a personagem da minha vida que eu esperava, que devo ser?

Ao partilhar este pensamento com um sábio amigo este explicou-me que estava apenas aborrecida. Que eram esses os tipos de pensamentos que tínhamos quando não havia nada de excitante no nosso Universo chamado vida. Na altura lembro-me de pensar que o seu comentário desprezava os meus sentimentos e questões honestas, mas como o meu amigo é sábio, tomei a sua resposta como certa e tentei não pensar mais nisto.

Pois bem, nestes planaltos em que há tempo para planear e pensar sobre a vida, tempo também o há para ler. Neste caso li um livro sobre um tema que me vem a interessar há alguns meses Ikigai.

No livro além deste tema do Ikigai é explorado o espiritualismo e o conceito de religião no Japão. Lá, segundo o autor, há infinitos deuses e há deuses inclusive nos objectos diários, nas tigelas, vassouras, carros e até escovas de dentes. Os Japoneses não são tolos, mas estes sentem um grau de gratitude que para nos é, muitas vezes, difícil de alcançar ou entender. Existe uma espécie de reverência e respeito pelas coisas que nos servem e isso faz com que as cuidemos mais e as tratemos melhor, sendo que estas duram mais e somos mais conscenciosos das nossas ações e atitudes.

Este tema deixou-me a pensar e de facto estes pensamentos sobre o nosso propósito e finalidade na vida surgem por causa da nossa espiritualidade. Pelo nosso desencontro com o terreno e o físico. Quando tudo esta bem não há detalhes para corrigirmos, não há pessoas que lutam pela nossa atenção, não há objetos partidos que concertar, focamos-nos em algo além da nossa própria existência. Não critico a divagação e as questões que nos surgem, critico a nossa desatenção das pequenas coisas.

Essas pequenas coisas tanto do dia a dia, como psicologicamente ajudam-nos a sair desses planaltos introspectivos e conseguem elevar-nos à felicidade. Reconhecer que tudo está bem é ótimo, mas reconhecer no dia a dia, desses dias já bons, pequenas conquistas, vitórias, alcançar novas metas isso é que nos leva mais perto do nosso caminho. Porque a nossa questão não deve estar voltada para o negativo: estarei eu a fazer o certo? mas deve-se voltar para os próximos passos.

O que vou eu fazer para estar mais perto do meu destino, que vou eu fazer agora que me orgulhe, me satisfaça sem procurar a aprovação dos outros.

No fundo precisamos de um pouco mais de espiritualismo e desta gratitude pelo comum.
No ritual de hoje na minha meditação em que queimo desejos e mantras para o meu dia escrevi:

Que o dia traga a capacidade de conseguirmos absorver o bem, reconhecer o mágico e criar o extraordinário 

Espero que vos inspire.

Fotorafia de Paul Earle do Unsplash

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