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Perfeitamente insatisfeita

Quem nunca começou uma dieta e depois de 3 ou 4 refeições em que pulámos a cerca desistiu? Quem nunca começou a aprender um instrumento, entrou no ginásio ou aula de dança e depois de vermos que existiam colegas mais avançados pensou… bem se calhar isto não é para mim.

Hoje em dia sofremos do eterno dilema a “galinha do vizinho é melhor que a minha” e isso é desmotivante, isto dói porque acreditámos que nos esforçarmos e que tentámos e, sobretudo, que merecíamos e os outros têm e nós não… porquê?

Uma das frases que ouvi recentemente que me fez mais sentido foi: Não compares o teu percurso atual com alguém que já está à tua frente.

Isto é não compares o teu começo com alguém que já vai a meio. E este é um erro comum, diário, normal… nós constantemente nos comparamos com os outros e esquecemo-nos que uma pessoa pode já ter começado a praticar, fazer, meses ou até mesmo anos antes de nós.

Tal como não desejaríamos ser colocados a fazer uma maratona com um maratonista (se o nosso exercício diário é ir até ao carro e voltar) porque é que nos comparamos com os nossos chefes, com bloggers com pessoas que não conhecemos e achamos que nós que começamos há meia duzia de dias temos de ser proficientes como fulano Y. O pior nem é a comparação é ignorarmos o esforço que foi necessário para chegar lá!

Por exemplo muita gente me categoriza como alguém bem disposto, alguém simpático. Eu tento ser isso, mas maior parte do tempo eu sou má, eu sou invejosa, eu sou impaciente e perfeccionista, sendo que nem eu consigo alcançar os meus standards…Mas o real é que sempre que acordo e penso “vida de merda” corrijo-me e tento pensar algo pelo que sou grata. Todas as vezes que vejo alguém a fazer bem algo ou a sentir-me invejosa eu penso: a pessoa fez bem, deve ser reconhecida, o que é que eu posso aprender para ser mais como ela? O que é que eu posso aprender com essa pessoa?

Esta é uma gestão complexa interior de nós próprios. É um esforço real quando por exemplo eu me apetece ficar em casa a chorar e acordo mais cedo para me maquilhar e ir mais bonita que o normal para o trabalho. Ou quando eu estudo o trabalho de alguém para o tomar como exemplo. Ou quando eu chego a casa cansada e ainda assim cozinho algo para oferecer no trabalho.

No entanto o que as pessoas muitas vezes vêm é alguém animado, de bem com a vida, motivador. As pessoas não vêm o esforço necessário para chegar lá. Nem quantos bolos fiz mal para agora os conseguir fazer bem.

O mote e ideia de hoje é contentamento. Pararmos um momento e pensarmos eu fiz isto e foi difícil porque treinei/tentei/tive de fazer este esforço. Mas eu antes não conseguia ou nem sabia fazer A mas agora até consigo. Se preciso melhorar, sim! Porque nós podemos sempre fazer melhor, mais rápido, mais facilmente mas isso nunca quer dizer que nos devemos desvalorizar.

Nós somos a estrela da nossa própria vida, nós somos o ator principal, o guionista e o primeiro público, aplaudam-se e reconheçam a vossa própria grandeza e também os vossos defeitos. Eles são os frutos, as flores e os espinhos que plantamos e colhemos.

(Fotografia Scott Webb)

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