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Valor das coisas – Aprendizagens

Este ano foi um ano de aprendizagem. Com a passagem oficial de mais um ano de vida no 27 recolho mentalmente algumas lições que o ano trouxe. Este ano apreendi sobre o valor real das coisas. As coisas custam mais do que o valor pago para as trazer para casa.

Valor real das coisas

Hoje em dia, comprar um carro, casa, telemóvel, cão, gato, mota, máquina fotográfica ou qualquer peça de roupa é assim [estalar de dedos] fácil. Não tens dinheiro não tem mal, compra e coloca no cartão de crédito, não consegues pagar o cartão? Não tem mal fica para o mês seguinte. 
Muitas pessoas esquecem-se que as coisas têm um valor associado não explícito no momento da compra. 
Isto pode ser mais fácil explicar com um objeto de grande valor como um carro. O Carro não custa o preço da etiqueta, custa o preço da etiqueta + selo + seguro + manutenção + combustível + lavagem + acessórios (cheirinhos por exemplo ou capas para proteger os estofos do nosso cão) + reparações. Neste caso é quase óbvio e perceptível bem quais os custos associados. Mas há coisas menos óbvias. 

Conto uma história sobre o valor das coisas. 

Um dia fui compra um corta-unhas para a minha gata (outro custo associado ao “objeto” gato), e na loja de animais tive de aguardar bastante tempo pois o dito corta-unhas estava atrás do balcão e a funcionária estava ao telefone.  Aguardei bastante tempo e acabei por me aperceber do que se tratava a conversa. A senhora insistia com alguém do outro lado que era impossível devolver um cão, que o animal não tinha garantia e que a loja não se podia responsabilizar pelo que acontecia depois de este ir para a sua nova casa. 
Com o decorrer da conversa vim a perceber que o dito cão, um bulldog francês tinha o que muitos animais desta raça têm: problemas respiratórios. Pelo que após adquirir o dito “objeto” cão este cresceu demonstrando cada vez mais problemas e teria de ser operado pelo menos uma vez. A nova dona não queria pagar e queria apenas devolver o, para ela, objeto cão e resolver o assunto. 
Depois de desligar a chamada e comprar o meu corta-unhas pensei que havia pessoas insensíveis, como podia a senhora achar que podia devolver um animal? Aliás, como podia alguém ter um animal em casa e um dia simplesmente dizer: não quero nada contigo vai-te!
Hoje revendo esta situação compreendo que esta pessoa que comprou o dito cão não entendeu realmente o custo de ter um cão. Não compreendeu que um animal de estimação implica: ração, veterinário, amor, atenção, tempo para brincar, socializar, tempo para educar e que o dito cão poderia ficar doente com qualquer coisa e exigir investimento profundo em tratamentos. Esta pessoa comprou um cão ignorando que podia existir num dia mau em que tinha que pagar simplesmente tratamentos. Possivelmente esta pessoa quando comprou o dito cão pensou em brincar ao busca, ou em algo fofinho para tirar fotos para as redes sociais 
Isto parece cruel e simplesmente desumano querer abandonar um cão por ter um problema. Mas o não se coloca o problema do valor das coisas apenas com os não-objetos mas também com os objetos. 
Por exemplo um casaco de um material específico ou blusa por exemplo. Se não podermos lavar essa peça junto com a nossa roupa, por exemplo algo que necessita ser lavado a seco ou que necessita de ser profissionalmente limpo, vai ter custo de entrada, o valor da etiqueta, mais todas as deslocações + todas as lavagens que este objeto tiver durante a sua vida útil. 
Esta foi uma das maiores lições que aprendi este ano e fez-me afastar de comprar várias coisas, algumas delas porque simplesmente vi logo à partida que exigiram muito tempo para as limpar. Ou que simplesmente as coisas iam durar tempo demais. Comprar mobília que não gostamos assim tanto tem muito custo além etiqueta, porque temos de a montar, perde valor rapidamente e, se a jogarmos fora ou vendermos por menos dinheiro, vai nos deixar com peso na consciência quer seja de a termos connosco ou de perdermos dinheiro no negócio. 
Pergunto por isso qual a pior coisa que compraste neste último ano ou anos que teve um custo maior que o esperado?

Fotografia de Sarah Dorweiler

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